Segue depoimento sobre meu caso. Reforço que está autorizada a publicação.
Há cerca de sete anos, comecei a conviver com muita dor sempre que tentava ter qualquer atividade sexual. Eram cólicas muito fortes, combinadas com bastante ansiedade. Em alguns momentos, sentia agonia apenas com o toque do meu companheiro.
Procurei um ginecologista especializado em fertilidade para tentar entender o que estava acontecendo. Foi nessa consulta que ouvi falar sobre vaginismo pela primeira vez, já que ele não conseguiu realizar o exame de toque. Senti muito pânico durante a avaliação. No entanto, o médico apenas comentou: “Tem aí um vaginismo” e não deu mais nenhuma explicação.
Comecei então a pesquisar sobre o tema e, por indicação de uma amiga, encontrei uma psicóloga e iniciei o processo terapêutico.
Durante esse processo, descobri que meu contato inicial com a sexualidade, ainda na pré-adolescência, não aconteceu de forma saudável, tanto por questões familiares quanto por situações de abuso. Abusos sobre os quais só consegui compreender a real dimensão quando já era adulta. Aqui, faço um convite a todas as mulheres: não tentem “enterrar” traumas. Em algum momento eles reaparecem, trazendo gatilhos, crenças limitantes e diferentes impactos para a vida.
Por indicação da minha psicóloga, tentei pela primeira vez a fisioterapia pélvica, mas não consegui evoluir no tratamento.
Confesso que adiei por bastante tempo o enfrentamento do vaginismo em si.
Em 2024, descobri a Clínica Débora Pádua pelo Instagram. Cheguei a agendar uma consulta, mas ainda morava em outro estado e uma alteração no voo feita pela companhia aérea acabou sendo motivo suficiente para que eu adiasse o tratamento mais uma vez.
Mas o vaginismo estava causando cada vez mais prejuízos. Não apenas no meu casamento, mas principalmente para mim. Eu me sentia muito insegura como mulher.
Minha psicóloga voltou a reforçar a importância de um tratamento multidisciplinar e, então, iniciei também um acompanhamento psiquiátrico para tratar a ansiedade.
Em 2025, me mudei para São Paulo e, no início de 2026, procurei novamente a clínica. Ainda assim, remarquei e cancelei várias vezes. Porém, o acolhimento da equipe da Clínica Débora Pádua começou antes mesmo da primeira consulta. Recebi mensagens, incentivos e apoio para finalmente comparecer à avaliação. Talvez mais pela vergonha de ter desmarcado tantas vezes do que pela coragem em si, resolvi ir.
Fui recebida com acolhimento, empatia e profissionalismo desde a recepção.
Meu tratamento foi conduzido pela Dra. Daniela, que foi uma verdadeira bênção na minha vida. Como costumo dizer, tivemos uma conexão imediata, e isso fez toda a diferença.
Na avaliação, fiquei muito agitada. Sentia vergonha, medo e ansiedade pelo que estava por vir. Não consegui sequer realizar o toque. Com toda a paciência do mundo, ela respeitou meus limites, acolheu minhas dificuldades e buscou entender como poderíamos superá-las juntas.
Já na terceira sessão, consegui realizar o toque completo.
Tudo era sempre muito bem explicado, embasado e realizado com meu consentimento. O tratamento foi conduzido com muitas conversas, risadas e estratégias para tornar mais leves os momentos que eu imaginava que seriam marcados apenas pela dor.
O cuidado foi muito além das sessões de fisioterapia. Pensando novamente na importância de uma abordagem multidisciplinar e preocupada em verificar se havia outros fatores envolvidos, a Dra. Daniela também recomendou acompanhamento ginecológico. Foi então que descobri que parte das dores que eu sentia não estava necessariamente relacionada ao vaginismo, mas também a condições do sistema reprodutor que precisavam de atenção.
Após 12 sessões, hoje consigo realizar exames ginecológicos, ter relações sem dor e sem ansiedade. Consigo vivenciar minha sexualidade de forma natural e saudável. Consigo compreender melhor meu corpo.
Sou imensamente grata a Deus por ter colocado profissionais tão capacitados no meu caminho. Meu marido também foi extremamente paciente e parceiro durante todo esse processo, e isso fez uma enorme diferença.
Agradeço de coração à Kamila, minha psicóloga, à Dra. Gisella, minha psiquiatra, à Dra. Augusta, uma ginecologista excepcional, e, aqui de forma especial, à Dra. Daniela e a toda a equipe da Clínica Débora Pádua.
Saibam que vocês fizeram, e sempre farão, uma diferença enorme na minha vida.
Eu consegui. E você também consegue.