Escolhi uma data específica para o depoimento: meu aniversário e meus 30 anos, uma idade de virada. Esse ano eu prometi que teria mais cuidado e mais afeto por mim, porque como mulher, em muitas caminhadas da vida somos confrontadas com o desconfortável e infelizmente nos acostumamos. Não me refiro ao desconfortável que nos faz crescer, é aquele que machuca silenciosamente e deixamos em segundo plano, no plano elevado e além do inconsciente.
E um desses machucados que eu carrego há alguns anos se revela na minha vida sexual, na minha transição menina-mulher, onde transbordei sensações de culpa, de uma insegurança profunda em engravidar e interromper ciclos importantes da minha vida e das minhas jornadas.
Até que em um dia percebi que meu incômodo mental se transformou em uma dor física profunda que não parecia ter solução, afinal, parece que essa é mais uma questão onde a culpa é da mulher: culpa por não relaxar, culpa por não se concentrar, culpa por se envolver demais, de menos. De uma forma ou de outra, somos condicionadas a ter sentimentos de repulsa pelo que pensamos, sentimos e experimentamos. Mas se tem uma coisa que dou conta é de enfrentar todos os pequenos monstros que fiz na minha cabeça e que me empatam de ir adianta. Então, 3 de janeiro iniciei uma jornada de encontrar uma solução para um problema que claramente precisava de uma ajuda profissional.
Acredito que quando tomamos decisões definitivas, a energia do universo te acolhe e te sobra respostas: em menos de 20 minutos de pesquisa no Google encontrei a Clínica e marquei uma reunião na semana seguinte com a Rose. E, enfrentando tudo com muito bom humor, passei por um conjunto de sessões que me fizeram compreender na prática o que é o sentimento de alteridade, de empatia e de compaixão. Rose, você é uma profissional ímpar que trabalha com a cura de dentro para fora. Nossas conversas se tornaram meus mantras de semana em semana, porque o resultado começa pela mente. Sem pretensão, você tem o dom de acalmar a mente, de tranquilizar as incertezas e de instigar a conquista.
Me sinto pronta e isso não se refere somente a minha vida sexual, isso diz respeito a libertação de uma cabeça que às vezes me aprisionou e me culpou. Me sinto livre para interagir comigo mesma, para experimentar uma vida com novos ensejos – aprendi que antes disso tudo eu gostava muito de mim, mas agora eu realmente me amo, me amo a ponto de sentir uma gratidão profunda por todo o trabalho de vocês, por toda equipe da clínica e me sinto uma energia renovada que possa compartilhar essa jornada com outras mulheres que também precisam desse ponto de luz, desse insight para passarem a se amar mais e se curarem.
Gratidão pelo trabalho extraordinário e que vocês todas sigam com muita luz na jornada pessoal e profissional de cada uma. Um grande beijo e claro que retorno para um café ou para tocar esse sino novamente como se fosse a primeira vez. rs