Passar pela fisioterapia me abriu portas que nunca imaginei.
O vaginismo me deixava insegura com meu corpo e com a forma como eu me relacionava.
Sempre senti que eu era menos por não conseguir me relacionar sexualmente, enquanto o ideal que se cria é o de que há idade para tudo e, se não conseguimos, é porque estamos atrasadas.
De certa forma isso moldou toda a minha vida, pelo jeito como eu sentia necessidade de não estar nunca para trás, o que me fez forçar inúmeras situações para conseguir fazer o que toda garota da minha idade já fazia.
Com o tempo, perdi a esperança de algum dia ter uma relação sem dor, sem angústia e sem relembrar minhas próprias cenas de abuso.
Ao encontrar o consultório e, principalmente, ao ser atendida pela Rose, entendi o que eu deveria fazer: encarar para seguir em frente.
As primeiras consultas são cheias de dúvidas internas. Se vou conseguir, se vai ser doloroso, se aguentarei todo o processo e o maior de todos os questionamentos: em quanto tempo eu vou me “curar”? Se é que eu vou, de fato.
Mas uma das primeiras coisas que a Rose me disse foi: “só eu sei que vai dar certo”. E ela tinha razão.
Foram alguns meses de tratamento, de apoio da Rose, do meu namorado, e a cabeça cheia de dúvidas deu lugar ao “eu estou conseguindo”. No meu tempo, aos quase 30 anos, sem atraso, sem correria, só conseguindo o que eu nunca antes cogitei conseguir (e a idade é um mero detalhe quando a gente percebe que ela não é um fator de relevância para se tentar fazer as coisas).
Hoje sou muito mais confiante comigo mesma e sei o quão importante é não desistir. Hoje um dos grandes fatores da minha ansiedade foi embora. E eu só tenho a agradecer por ter sido dessa forma, com a melhor profissional que eu podia encontrar para isso, e com o acolhimento que eu mereço.
Obrigada!