Minha primeira paciente com diagnóstico de Dispareunia

A quase 10 anos recebi minha primeira paciente com dor na relação sexual. Ela chegou em meu consultório, na época trabalhava em Ribeirão Preto SP e começou a me contar sua história.
Ela tinha 21 anos e já namorava a quase 2 anos e nunca tinha tido orgasmo, mas sentia prazer por estar com um namorado que ela gostava e simplesmente do nada ela começou a ter dor na relação sexual e isso só aumentou com o tempo. Ela já havia se consultado com 3 ginecologistas que não constaram nenhuma alteração em seu canal vaginal e ela estava desesperada porque só tinha vontade de fugir do seu namorado, ela não tinha nem mais vontade de iniciar um beijo porque tinha medo que isso terminasse em uma transa.
Alguém tem uma história assim???
Depois de ouvir toda história dela comecei a fazer uma avaliação física no canal vaginal para tentar encontrar algo de errado.
Na minha especialidade faço exames parecidos com o uma ginecologista, mas meu principal foco é alteração muscular, ou seja, alguma alteração que eu possa tratar como fisioterapeuta e foi exatamente isso que encontrei nesta paciente. Quando eu fiz o toque vi que toda sua musculatura por mais que eu pedisse relaxamento a ela, ela só sabia fazer contração e apertar o canal cada vez mais. Quanto mais medo ela tinha de sentir dor, mais ela contraia todo o canal vaginal.
Continuei examinando e vi que com o pênis do namorado com certeza deveria ser bem pior pq o tamanho era diferente.
Quando terminei conclui que ela não tinha Vaginismo e sim Dispareunia e que precisava de um tratamento e mesmo sentindo dor a algum tempo, ela estaria bem melhor após poucas sessões de fisioterapia sexual e assim começamos o seu tratamento.

Já perdi o numero de mulheres que encontrei em todos estes anos com dor, muitas dizem não ter nascido para fazer sexo e muito menos ter prazer e eu discordo disso com todas minhas forças. Toda mulher é capaz de sentir prazer!